quinta-feira, 13 de abril de 2017


Já tentei de tudo
Quando as folhas da sua samambaia secam e caem, você não supõe que a planta fez de propósito para lhe dar trabalho ou para que suspeitem de que você não é uma boa jardineira. Você interpreta a "atitude" da planta como uma mensagem: água de mais ou de menos, menos luz, mais adubo... Carência ou excesso, você tenta entender o que está acontecendo.
Uma criança é mais complexa do que uma planta, mas não mais complicada. As supostas pirraças manifestam necessidades, carência ou excesso. E se a atitude da criança não fosse uma provocação, e sim uma consequência, uma resposta, uma reação?
A criança não reage desse modo nem por acaso nem por vontade de incomodar, são na verdade respostas do cérebro da criança a situações complexas demais para elas.
Quando as necessidades de contato da criança não são suficientemente correspondidas, seus circuitos cerebrais ficam em carência. Crises de raiva, choros sem razão e comportamentos extremos são algumas das manifestações de perturbação do sistema nervoso.
Dedicar 10 minutos que sejam, por dia, de total disponibilidade ao seu filho, para lhe dar afeto e carinho, é a garantia de noites mais tranquilas!
O sistema nervoso da criança, sobrecarregado, desencadeia essa reação de descarga das tensões acumuladas. Você pede que ela se acalme, mas a crise é a sua maneira de se acalmar.
É paradoxal irritar-se ao mesmo tempo pedir a uma criança que se acalme. É mais eficaz contê-la com carinho e serenidade. Isso desencadeará a liberação de oxitocina, hormônio que a ajudará a se acalmar e a desenvolver as vias de comunicação neuronais que a auxiliarão a gerir as suas emoções durante toda a sua vida.
Ficar quieta numa fila de espera, em engarrafamentos, no restaurante, ou numa viagem de três horas de carro está acima das capacidades de uma criança entre 2 a 6 anos.
Uma criança que se mexe muito não precisa necessariamente "se acalmar", mas sim dirigir sua energia para outra coisa. É inútil e nocivo para o cérebro e para o equilíbrio psíquico da criança puni-la por que ela não fica sossegada. Dar-lhe um objetivo, uma ocupação, alimentará as necessidades do seu cérebro de modo mais eficaz.
A criança chora, tem uma crise ou um comportamento inapropriado?
Trata-se de:
Uma busca de estímulo: oriente suas atividades de maneira que ela encontre os estímulos de que necessita através de um comportamento apropriado.
Um comportamento de apelo: identifique a necessidade e a satisfaça, ou nomeie-a se não for possível satisfazê-la imediatamente.
Uma descarga de tensões: acolha o choro e os gritos, contenha os movimentos desorganizados, que podem levá-la a se machucar, acalme o estresse e restitua-lhe a calma interior.
Não é nada disso? Então pode ser:
Uma reação a uma atitude inapta por parte dos pais ou
Um comportamento natural da idade dela!
Até os 3 anos, as regras são apenas palavras sem ligação concreta com seus atos, pois ela ainda não pode conceitualizar, não pode guardar as palavras na memória, não tem a capacidade de inibir seus gestos, explorar novas competências é uma prioridade e seu cérebro não processa de forma correta a negação.

Quando a criança obedece a uma ordem, o lobo frontal do seu cérebro permanece inativo.
Quando você faz com que a criança reflita, quando lhe oferece uma escolha e lhe deixa um espaço de decisão pessoal, você lhe propõe que mobilize seu lobo frontal, aquele que permite pensar, decidir antecipar, prever – tornar-se responsável.
Como evitar dar ordens?
-         Consolidar associações
-         Criar rotinas, séries de ações.
-         Fazer perguntas, instigar a reflexão.
-         Colocar a criança em posição de decidir, mesmo que seja sobre algo pequeno.
-         Dar informações
-         Oferecer escolhas permite também que a criança se sinta responsável pela decisão e diga EU.

Criando rotinas você evitará muitos conflitos.
A criança muitas vezes só precisa que o seu desejo seja reconhecido. Nossos desejos definem os contornos do nosso sentimento de identidade.
Á noite, antes de dormir, você pode lhe propor:
-         Que fale sobre o que foi difícil durante o dia,
-         Que desenhe o seu dia e que coloque suas preocupações no papel

O desejo não expressa uma necessidade legítima, é sem dúvida útil saber recusar. Se a criança tivesse todos os seus desejos imediatamente satisfeitos, perderia a noção dos próprios limites entre si e o ambiente, na experiência da frustação.
Muitos pais não ousam recusar nada aos seus filhos, por medo de traumatizá-los, medo de fazê-los sofrer ou de perder seu amor, por terem eles próprios sofridos por conta de recusas e negativas dos pais. Na realidade, eles têm medo das crises de raiva.
A criança tem o direito de sentir raiva, é a emoção natural da frustação. Ela tem o direito de expressar essa raiva para os pais, que, em geral, são os causadores da sua frustação. E para que ela fique livre para sentir e expressar a sua raiva, e dessa forma aprender a aceitar a frustação, é necessário que seus pais não se sintam derrotados nesse processo. Quando os pais tem medo da raiva da criança, ela percebe e pode ou embotar a raiva ou se tornar violenta, se essa fúria se misturar a uma sensação de impotência.
A ativação repetida do alerta cerebral impulsionado pelo modo durante a infância pode provocar, mais tarde, distúrbios de ansiedade.
Os tapas ensinam que bater é uma forma de resolver os problemas. Batendo nos filhos, os pais acabam incentivando- os a agir da mesma forma.
A criança acumula em si o medo e a raiva, que podem aparecer mais tarde como sintomas de violência contra o outro – os amigos da escola e todas as pessoas sobre as quais ela terá alguma ascendência, principalmente seus filhos – ou contra ela própria, na forma de doenças psicossomáticas ou de fracassos repetidos. Mesmo já adulta, o medo poderá ressurgir a cada instante. Com pouca confiança em si mesma, a criança tentará se adaptar antes de se questionar, se submeterá obedientemente a qualquer autoridade ou, ao contrário, tornará o poder pela força sobre o outro, pois foi assim que aprendeu a fazer.
Tais atitudes introduzem uma confusão nas bases de referência da criança. Como entender que aquele que diz que a ama também bate em você? Na cabeça da criança, amor e humilhação se associam o que não é bom presságio para as futuras relações amorosas.
Desculpar tudo não educa. Apagar as consequências impede que a criança aprenda. A partir do momento em que a criança tiver idade para fazer sozinha, é importante permitir que ela mesma o faça, caso contrário poderá estar lhe ensinando que:
-         Ela não é capaz
-         Seus gestos não tem consequência e que, portanto, não é necessário ficar atenta a eles,
-         Os outros estão a seu serviço.
Se a criança já tem idade para entender que seu ato provocou o problema, a sanção muitas vezes já está lá, ela é a consequência natural ou lógica do comportamento dela. A sanção reparadora é educativa e uma alternativa às punições, pois ela responsabiliza a criança ao lhe permitir medir o alcance de seus atos e lhe ensinar a pegar uma via de retorno para dentro da relação.
Para ajudar nossos filhos a crescerem, é melhor nos concentramos nas soluções e não nos problemas.

Aproveitamos cada instante de cada etapa da vida de nossos filhos. Passa rápido demais. Existe apenas uma única e verdadeira urgência:

AMAR!


Retirado do Livro: "Já tentei de tudo" de Isabelle Filliozat

sexta-feira, 17 de março de 2017

Resumo questões de aprendizagem

Resumo das principais questões de aprendizagem

Dislexia
 Transtorno de aprendizagem de origem neurobiológica, onde não se encontra fluência na leitura e dificuldade de tradução de sons em letras e das letras em seus sons. Normalmente há um atraso para falar, dificuldade para pronunciar e aprender palavras novas, fazer rimas, troca de letras, entre outras.
É necessário adaptações escolares de abordagem multissensorial, utilização de método fônico, oferecer mais tempo para execução das atividades e valorizar as respostas orais do aluno.
No ambiente familiar deve-se estabelecer uma rotina de estudos, com planejamento e um local adequado. A leitura diária deve ser incentivada.

TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade)
Transtorno que tem como característica o baixo rendimento escolar, dificuldade para interagir com os colegas, problemas para respeitas as regras, dificuldade para ignorar estímulos, dificuldade para organizar e planejar, dificuldade de sustentar a atenção, dificuldade para lidar com o tempo, imediatismo, dificuldade de aprendizagem da leitura e matemática.
Deve receber ordens claras e diretas, usar recompensas para o bom comportamento, estabelecer regras e rotinas, permitir o movimento e pausas.

Discalculia
Transtorno de aprendizagem da matemática. Presente  em cerca de 5 em cada 100 pessoas. Dificuldade para aprender a contar, reconhecer números, corresponder dígitos às quantidades que representam, para organizar coisas de maneira logica, resolver operações simples e problemas, memorizar funções matemáticas, dificuldade para medir coisas, estimar custos, realizar cálculos mentais, estimar velocidade e julgar distancias.

Deve ter reforço repetido, usar papel quadriculado, ler os problemas matemáticos em voz alta, desenhar figuras que representem os problemas, utilizar materiais concretos. Pode ter mais tempo para realizar atividades que envolvam aritmética. Procurar valorizar o raciocínio matemático mais que a realização do calculo em sí. Fornecer materiais de referencia como tabuadas, fórmula e calculadora. Não avanças para problemas complexos enquanto não forem adquiridas habilidades básicas. A matemática é cumulativa e não é uma questão de talento e sim de esforço. 

Superdotados

Superdotados

Inteligência é uma habilidade humana que envolve raciocínio, planejamento, solução de problemas, pensamento abstrato, compreensão de ideias complexas, aprendizagem rápida e pratica. É uma habilidade herdada, mas uma pequena parte da população apresenta uma inteligência diferente da maioria.

Estima-se que 2% da população tem um nível de inteligência muito alto, chamados assim de superdotados.

Características: os interesses são variados, possuem forte curiosidade, demonstram altas habilidades verbais, aprendem cedo e rápido, gostam muito de ler, tem grande capacidade para sintetizar informações, são observadores, pensam de forma inovadora e flexível. Possuem excelente memória, tem facilidade com os números e raciocínio logico dedutivo, são imaginativos e possuem senso de humor, tendem a ser individualistas e dominadores, tem habilidade de liderança, são autocríticos e são autoconfiantes. São sensíveis às expectativas alheias e possuem elevado senso de justiça. Podem se isolar por não ter colegas com as mesmas capacidades. São perfeccionistas podendo gerar ansiedade, depressão e auto sabotagem.  


Deve ter um nível de desafio proporcional ao desempenho, caso contrario pode gerar desinteresse e agitação. Aprender a compartilhar e escutar opiniões, liderar sem ser dominador. 

Expectativa na criação dos filhos

Expectativas x realidade

Os filhos são compostos de partes dos pais, mas também possuem características genéticas próprias.
Quando há uma criança com dificuldade de aprendizagem na família, é difícil lidar com as expectativas. O diagnostico demora para sair, o tempo não para, a escola que não espera, a idade que avança e a defasagem aumentando perante a turma.

No artigo “Sobre o narcisismo: Uma introdução” (1914), Freud explica a revivescência do narcisismo dos pais em relação aos filhos. Estes atribuem a perfeição aos filhos e esperam que satisfaçam todos os seus desejos não realizados. Esperam que o filho não passe pela dificuldade que passaram, que tudo será mais fácil para os filhos. Deixam de cuidar de suas próprias vidas e passam a cuidar apenas da vida do filho. E essa seria a causa dos sentimentos de decepção tão comum que estas famílias têm em relação a esta criança que não se desenvolve conforme a expectativa gerada.

Alguns exemplos de expectativas irreais:
- Normalidade! Não se espera que os filhos tenham problemas e dificuldades.
- Harmonia eterna no relacionamento familiar. Sem considerar as fases e individualidades de cada um.
- Irmãos unidos, sem conflitos ou rivalidade.
- Quando se ama, não se pode ter raiva ou irritação. E esquecer que mostramos nossos sentimentos exatamente para as pessoas que mais confiamos.

Criar não é tarefa fácil! Exige paciência, perseverança, flexibilidade, aprender o tempo todo, lidar com o imprevisto e se colocar no lugar do outro.

 Meu conselho é o questionamento: São expectativas reais? Estou enxergando a individualidade do meu filho? O que é meu e o que é dele? Estou criando um ser pensante, criativo e autônomo?

É imprescindível o apoio familiar, pedagógico e institucional para o desenvolvimento das crianças. 

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Seu filho precisa de psicoterapia?

Seu filho precisa de psicoterapia?
Veja alguns fatores importantes para uma possível avaliação:
- Mudança de comportamento = choro frequente, tristeza aparente, silencio excessivo.
- Distúrbios físicos = alteração alimentar, descontrole da urina ou fezes, alterações do sono.
- Doenças = ficar doente frequentemente.
- Interação = timidez excessiva, dificuldade na comunicação verbal.
- Agressividade = birras frequentes, dificuldade em lidar com frustrações e limites, violência.
- Agitação = falta de concentração e/ou agitação excessiva
- Fobias = medo excessivo que o prejudique nas atividades diárias.




segunda-feira, 4 de julho de 2016

Transtorno de Oposição TDO

Transtorno de Oposição

É a dificuldade da criança em lidar com seus sentimentos de raiva. Comportamento de oposição, teimosia, desafiar o adulto (figura de autoridade), tendência ao descontrole. Acessos de raiva, recusa em cumprir ordens, culpas os outros e dificuldades de interação.  
Comportamento que persiste  por pelo menos 6 meses. Normalmente se manifesta antes dos 8 anos. Ocorre em 16% das crianças e adolescentes. Mais comum em meninos.
Causas: atraso ou limitação no desenvolvimento, desiquilíbrio de neurotransmissores, excesso ou falta de regras.

Estratégias:
- Pais devem dar ordens de perto (sem estar em outro cômodo, por ex), com voz firme e jamais desistir de uma ordem dada.
- Dar ordens simples, diretas e claras.
- Pedir para repetir as ordens dadas.
- Não dar ordens em forma de perguntas (não esta na hora de tomar banho?)
- Não dar ordens com antecedência (daqui a 1h desligue a tv)
- Não conversar na hora da raiva
- Não ter medo de dizer NÃO

- Reforçar avanços e comportamentos adequados.

Cognitivo Limitrofe

O que é cognitivo limítrofe?


É o desenvolvimento cognitivo abaixo da média. Principais características são: atrasos na linguagem, atraso na psicomotricidade, perda da noção de perigo, comprometimento intelectual, comprometimento no desenvolvimento global.  Apresenta falta de atenção, concentração, compreensão, memória e raciocínio.